O Alternativas Saudáveis entrevista Sonia Hirsch

Nos últimos 30 anos, a escritora e jornalista Sonia Hirsch tem publicado livros sobre alimentação e saúde, que têm orientado e ajudado muita gente.

Sonia Hirsch gentilmente nos concedeu essa entrevista, na qual resolvemos focar no problema do consumo do açúcar refinado e suas consequências, por considerarmos um assunto da mais alta relevância, em se tratando de saúde.

Maria Fernanda com a escritora e jornalista Sonia Hirsch em uma das palestras "Saúde é outra coisa".

Maria Fernanda com a escritora e jornalista Sonia Hirsch em uma das palestras “Saúde é outra coisa”.

Alternativas Saudáveis:

Sonia, no seu livro“Sem  açúcar com afeto” você diz que o açúcar afeta o nosso sistema nervoso, degenera o nosso sistema imunológico e, altera todas as nossas funções físicas e mentais. Você se refere não só ao açúcar em si, mas às comidas que se transformam em açúcar. Então, se é assim, por que ainda tem tanta gente que cai nessa cilada, Sonia? Você concorda que existe todo um ambiente externo favorável, que facilita e encoraja esse hábito?

Sonia Hirsch:

O açúcar é uma das galinhas de ovos de ouro da indústria de alimentos, porque o sabor doce agrada à maioria das pessoas e vicia. Dizem os chineses que ele alivia desconfortos. Pode até ser falso, como nos adoçantes, que funciona. O mal que faz nem sempre é reconhecido, mesmo pelas pessoas mais inteligentes, porque a própria questão alimentar permanece obscura para a maior parte dos seres pensantes. A comida é vista como algo de que se precisa para matar a fome e que pode dar prazer. As sutilezas escapam. A propaganda pega isso tudo e impõe as guloseimas aos desavisados.

Alternativas Saudáveis:

É verdade, Sonia. Os efeitos nefastos do açúcar fazem dele um perigoso inimigo da boa saúde, sendo, na nossa opinião, um problema de saúde pública. Nesse caso, Sonia, não deveria haver campanhas, organizadas por órgãos da administração pública, para esclarecer o grande público? Tem muita gente que ainda pensa que o único problema do açúcar é que ele engorda. E, se pra quem já sabe das perigosas consequências do seu consumo, é difícil se desvencilhar dele, imagine para os que ainda não sabem. Você vislumbra alguma solução assim, ao nível de políticas de saúde pública, ou a gente fica no salve-se quem puder mesmo?

Sonia Hirsch:

O governo federal tem muita coisa boa no papel, mas não vejo ações efetivas. A sociedade também resiste muito à ideia de educação alimentar. Lembro quando um prefeito do Rio tentou tirar frituras, refrigerantes e porcaritos das cantinas de escolas, e os pais protestaram alegando o direito de escolha dos filhos. Falta consciência.

Alternativas Saudáveis:

Pois é, Sonia, falta consciência. E, por falar em consciência, a gente já sabe que o açúcar é uma porta aberta para doenças graves, como diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, câncer, esteatose hepática, cegueira, impotência, problemas intestinais, entre muitas outras. Mas, e quanto à dificuldade de se concentrar, alta ansiedade, depressão profunda, neuroses e, outros desequilíbrios mentais e emocionais, que o consumo do açúcar desencadeia? O que você acha disso, Sonia?

Sonia Hirsch:

Penso nos parasitas que se alimentam principalmente de glicose e que vivem do lado escuro da lua, porque não há mais eficiência nos exames de fezes e tanto o povo quanto os médicos negligenciam essa possibilidade. Mas as pessoas têm esses sintomas todos que você mencionou e que são bem conhecidos de quem estuda parasitologia. Como pesquisadora, vejo que a primeira providência prática para reduzir a compulsão de consumir doces e refrigerantes é uma boa vermifugação.

Alternativas Saudáveis:

Essa informação de que uma boa vermifugação pode ajudar a eliminar o vício pelo açúcar é de muita importância, Sonia!  É verdade, a sensação que se tem é que o controle dos parasitas, que é uma ação preventiva básica, entrou para o rol do esquecimento. Hoje em dia, dificilmente a gente ouve falar nisso. Se um pedido de exame de fezes virou uma raridade, o que dizer, então, de exames de fezes eficientes?

Mas, Sonia, além do controle dos parasitas, qual o conselho que você dá para aqueles que querem parar de comer açúcar?

Sonia Hirsch:

Em primeiro lugar, a pessoa precisa cultivar a consciência que adquiriu e entender melhor o que a conduz ao consumo de comidas e bebidas doces. Vermifugar, como já disse, é importante se for uma compulsão. Mas depois tem que haver determinação e disciplina. A complacência é a grande inimiga. A pessoa às vezes diz “Ah, mas o dia hoje foi tão difícil, eu mereço um docinho…” Pronto, já fez a associação perversa entre açúcar e recompensa. Nessa hora tem que procurar outra coisa menos fácil, mais valiosa. Usar algum truque – por exemplo, botar um dinheiro num cofrinho para gastar nas férias, ou pegar um caderno e escrever sobre esse dia difícil, fazer qualquer coisa que mude a paisagem mental. Comer doces costuma ser ideia fixa de quem é viciado. É preciso desfixar a ideia, ter mais flexibilidade e aproveitar melhor a consistência da vida.

Alternativas Saudáveis:

Muito obrigada, Sonia Hirsch, pela sua generosidade em nos conceder essa entrevista! Parabéns pelo trabalho maravilhoso de promoção de saúde que você vem fazendo ao longo dos anos! Bravo!!!

 Sonia Hirsch é autora de vários livros sobre saúde e alimentação que têm orientado e ajudado muita gente.

Sonia Hirsch é autora de vários livros sobre saúde e alimentação que têm orientado e ajudado muita gente.

Pessoal, a Sonia Hirsch em seu livro “Sem açúcar, com afeto”, da Editora Correcotia, faz um relato muito rico sobre a sua própria jornada para vencer esse doce vilão, assim como sobre a conexão entre o consumo do açúcar com depressão, parasitas e toda sorte de desajustes emocionais e psicológicos.

Vocês podem saber mais sobre esse e outros livros de autoria da Sonia no site:

http://correcotia.com/semacucar/index.html

Poderão também encontrar verdadeiras pérolas no blog da escritora. Lá tem muito ensinamento, sabedoria e receitas gostosas e saudáveis! Vale a pena conferir!

http://www.soniahirsch.com/

créditos: a imagem destacada do post na página inicial é uma foto de Luciana Whitaker, de propriedade da Folha de São Paulo

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